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Passei aqui só pra ler os comentários...

©Stefan Pastorek
Quem não conhece este tema? Os comentários em redes sociais. Eles são um tema em si mesmos. Alguns internautas chegam a dizer que os comentários às vezes são mais interessantes do que o tópico que os contém.

A blogueira alemã Kerstin, em seu blog "Fraumama.de" escreveu sobre o fenômeno em artigo que chamou (em tradução livre) de "Sobre a dinâmica dos comentários em canais de mídia social". Ela fala sobre pais e mães que discutem um tema corriqueiro em educação infantil. Mas com certeza já vimos isso acontecer em diversas outras páginas, onde a guerra de comentários muitas vezes foge completamente do tema proposto. A seguir o texto da blogueira, traduzido do original em alemão.

>>> Conversar com amigos através de "chats", alegrar parentes distantes com fotos de nossos 'rebentos' enquanto se colhe [frutas] das árvores do "FarmVille" ou se alimenta uma galinha do vizinho. Até há alguns anos nós ainda usávamos o Facebook quase exclusivamente para fins privados. Hoje temos comunicação direta com fabricantes, lojas on-line e grandes e pequenas marcas. Seja reclamação, elogio ou pura curiosidade, estamos conversando com as empresas e elas (pelo menos a maioria) com a gente. Nos últimos meses, a comunicação tem se desenvolvido a tal ponto, que podemos responder como usuários até mesmo às perguntas que outros usuários escrevem ao fabricante de papinhas, loja on-line para produtos infantis ou ao fabricante do assento infantil para o carro. E que essas discussões muitas vezes desenvolvem uma certa "dinâmica própria" não é para nenhum de nós um tema desconhecido, que certamente já observamos nos últimos meses em canais de mídia social.
Este exemplo é fictício, mas provavelmente, em algum lugar, algo assim aconteceu ou está por acontecer.

Mensagem do "status" do fabricante de uma conhecida e deliciosa papinha para bebês:

Corinna (26), gostaria de saber de vocês, queridos pais, como deve proceder. Sua filha Emma-Céline de 3 anos e meio de idade e faz um terror tão grande na hora de dormir que cada noite tem sido um verdadeiro inferno e Corinna já por volta do meio-dia começa a temer os momentos que virão à noite, antes de colocá-la para dormir. Além da filha, Corinna tem um filho, Kevin (14 meses) e que também precisa de sua mãe à noite e Corinna não pode se dividir em duas. Como vocês resolveriam isso?

Dentro de 2 horas e meia, aproximadamente, cerca de 2.300 respostas foram escritas e delas aproximadamente 1,5% realmente se relacionavam com o tema proposto.

  • 50 mães se perguntam por que a criança do sexo feminino tem um prenome duplo e a de sexo masculino apenas um prenome.
  • 26 mães levantam a questão de a escolha dos nomes ser lamentável e as pobres crianças sofrerão ao longo de suas vidas.
  • 8 mães postam um link para um site, onde o fenômeno "Kevinismus" é explicado.
  • 14 mães escrevem que um de seus filhos também se chama Kevin e que elas acham uma merda esse preconceito.
  • Uma mãe se gaba de que seu filho dorme a noite inteira, desde o 1º dia, e que é preciso educar filhos de forma correta de modo que eles não se tornem tiranos quando crescerem.
  • 11 mães acham a situação uma maldade e que não se pode mimar as crianças. Inicia-se uma discussão fundamental sobre o livro "Toda criança pode aprender a dormir", com a participação de outros 36 pais.
  • Um pai escreve que ele também se chama Kevin.
  • 2 mães querem informar ao Juizado de Menores porque a expressão "fazer terror" é anti-social e pode representar um risco para o bem-estar da criança.
  • Annette observa que na palavra "Kindeswohl" [em alemão: "bem-estar da criança"] falta um "h" e esta falha na escrita só poderia vir de uma mãe cujo filho se chama Kevin.
  • 2 mães estão felizes porque se conhecem pessoalmente e se surpreenderam por terem se encontrado nesta "fanpage".
  • Um pai escreve que seu bebê não suporta o mingau desta marca, de qualquer maneira, e portanto, ele não compra mais "esta marca horrível".
  • Isto dá a 21 mães uma oportunidade para esclarecer ao restante [das pessoas] que no mingau para bebês há açúcar demais e que se pode maravilhosamente prepará-lo a partir de flocos de cereais e leite de vaca.
  • Inicia-se uma discussão sobre bezerros que são retirados de sua mãe logo após o nascimento.
  • 18 mães escrevem que prepararam mingau de flocos de cereais com leite materno.   
  • 2 mães se irritam porque a "máfia da amamentação" agora anda por toda parte.
  • Annette esclarece sobre os danos provocados pelo leite de vaca e propõe que a mãe alimente a pequena Emma-Céline, de 3 anos e meio, de forma vegana.
  • Barbara conclui que tudo aquilo não tem nada a ver com o assunto e que Corinna provavelmente não esperava por isso.
  • Stefanie não vê razão para ajudar a uma mãe anti-social que relaciona sua própria filha com terrorismo, e clama por uma "licença para pais".
  • Nadine pergunta se há planos para ter um terceiro filho.
  • 13 mães elogiam o uso da "cama compartilhada".   
  • Gudrun conhece um jovem de 17 anos que ainda dorme na cama com os pais e é "totalmente perturbado".
  • Annette especula que este jovem bebeu leite de vaca na infância. 
  • 11 mães escrevem, uma após a outra, que esta discussão tem de chegar a um fim e que se deve voltar ao tema inicial do tópico.  
  • 2 mães despedem-se deste "deplorável mundo ideal" e desejam a todos um "passar bem".  
  • Uma mulher pergunta onde ela pode reclamar sobre um recente comercial de TV, em que o bebê é alimentado com a papinha sem estar usando um babador.   
  • Annette escreve que a televisão é um instrumento do diabo.
Corinna (26), farta deste terror de mídia social, clicou em "descurtir", fez uma mamadeira para o Kevin e leu uma historinha para Emma-Céline. A pequena filha de 3 anos e meio pergunta por quê sua mãe está tão calma hoje, fecha os olhos e adormece feliz.

O fabricante de papinhas se alegra pela comunicação ativa em sua plataforma e decide perguntar aos seus fãs, no dia seguinte, se seus filhos são vacinados...

Bem, quem de nós nunca viu algo similar?


Créditos:
Autora: o texto original em alemão é da blogueira Kerstin, do blog "Fraumama.de"
Imagem: Stefan Pastorek
Tradução: Lia Alvs.



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