A utilização do pólen na interpretação da flora apícola

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Categoria: Saúde, Ciência e Tecnologia Publicado em Sábado, 23 Junho 2012 Escrito por Ortrud Monika Barth

 

 

 

O que se entende por flora apícola? Significa um conjunto de plantas ocorrentes em uma determinada região e que desempenham o papel de sobrevivência para as abelhas.


Há extensas listagens de táxons vegetais considerados importantes para as abelhas, referentes, no presente caso, às diferentes regiões do Brasil. As plantas referidas estão classificadas ao nível de família, gênero e, frequentemente, a espécie. Muitas vezes estão citadas somente pelos seus nomes vulgares.


Quando se fala em flora apícola, deve-se considerar os interesses e as preferências nutricionais, tanto das abelhas nativas (Meliponini), quanto das introduzidas em nosso país (Apis mellifera L.). As levas dos primeiros imigrantes no Brasil, no século dezenove, principalmente alemães, trouxeram consigo as abelhas vulgarmente chamadas de “européias”, bem como a tradição e cultura de manipular e tratá-las. Entretanto, o pasto para as abelhas aqui era diferente do da Europa. Ambos, o homem e as abelhas tiveram de adaptar-se às novas condições de vida. Fizeram-no muito bem, de modo que estamos vivendo atualmente uma crescente atividade apícola em todo país. Recentemente, a Meliponicultura tem presenciado um importante desenvolvimento, tanto ao nível de espaço, quanto à tecnologia inovadora para uma criação racional. Além do mel, cresceu o interesse pela produção e qualidade de derivados apícolas. Estes se referem à própolis, geopropolis, geléia real, ao pólen, à cera e apitoxina.


O pólen da flora apícola é encontrado em mel, própolis, geopropolis e geléia real, além de ser coletado puro pelas abelhas, estocado em alvéolos (Apis) e potes (Meliponini), separadamente do mel, constituindo o chamado “pão das abelhas”. Existe hoje uma literatura bastante informativa, embora regionalmente ainda limitada, sobre o pólen apícola (Revisão sobre este assunto foi feita por Barth 2004. Scientia Agrícola 61: 342-350).

 

 

O pólen no mel


Fazem parte do mel os grãos de pólen provenientes, na sua maior parte, das plantas fornecedoras de néctar, as chamadas plantas nectaríferas. Uma certa percentagem do pólen no mel pode ainda ser proveniente de plantas anemófilas, isto é, cujas flores não produzem néctar, somente pólen, disperso pelo vento, mas que pode ser de interesse para as abelhas como fonte de proteínas. Há ainda uma terceira categoria de plantas, as chamadas plantas poliníferas que, além de pouco néctar, fornecem bastante pólen.


É evidente que as plantas nectaríferas são de maior importância na produção de mel. Compreendem um grande número de espécies variando de região para região. Além de minuciosas observações da atividade das abelhas no campo, estas plantas são reconhecidas e identificadas através da “análise polínica” do mel. Constitui-se no reconhecimento dos tipos polínicos encontrados nas amostras de mel e a partir deles chegar às espécies vegetais que os produziram, bem como à vegetação de interesse apícola ao redor de um apiário e dentro do raio de ação das abelhas. Entre os tipos polínicos mais frequentes encontrados em nossas amostras de mel, estão como exemplos os de Eucalyptus, de frutas cítricas (Citrus sp.), Mimosaceae e Asteraceae (Compositae).


Entretanto, a avaliação dos dados obtidos, ainda necessita de aprimoramento. Não basta realizar uma simples repartição dos tipos de grãos de pólen encontrados nas amostras de mel em classes de freqüência. É necessário avaliar e ponderar estas categorias e relacioná-las às propriedades e características das plantas que os produziram. Em parte, até empírico, é o nosso conhecimento sobre plantas que produzem mais ou menos néctar, mais ou menos pólen, bem como plantas que são de maior ou menor interesse para as abelhas. Este interesse pode variar de região para região. Por exemplo, Dombeya wallichii (astrapéia), é de bom interesse para as abelhas no Estado do Rio de Janeiro (região Sudeste), entretanto é de desinteresse no Estado de Santa Catarina (região Sul) devido ao elevado teor de água em seu néctar nesta região. Todas as plantas essencialmente nectaríferas produzem muito néctar e pouco pólen, portanto são sub-representadas nos espectros polínicos.


Entre as poliníferas, isto é, plantas que produzem muito pólen e relativamente pouco néctar, super-representadas nos espectros polínicos, ocorrem diversas espécies do gênero Mimosa , de Melastomataceae (quaresmeiras). Espécies do gênero Eucalyptus, amplamente cultivadas no Brasil a partir do início do século XX, têm produção variável de pólen, de modo que ora se enquadram como nectaríferas, ora como poliníferas.


Há ainda as plantas anemófilas, que não produzem néctar e cujo pólen só acidentalmente entra na composição do espectro polínico de méis. Entre estas, ocorrem com maior freqüência várias espécies de Cecropia (embaúbas), de Poaceae (gramíneas), entre as quais o milho, e de Cyperaceae (tiriricas).


Em resumo, levando-se em consideração na análise polínica de amostras de mel a participação de pólen anemófilo e polinífero, bem como a relação quantitativa de sub- e super-representação do pólen das plantas nectaríferas, obtem-se um diagnóstico mais próximo da verdadeira procedência do mel.

 

O pólen puro


Servindo de reforço alimentar à dieta do homem, o pólen de bolotas de abelhas é comercializado há longo tempo. Procura-se, no entanto, obter um padrão constante deste produto. O pólen de plantas apícolas é a principal fonte de proteínas na dieta das abelhas. Em visitas ao campo à sua procura, as abelhas recolhem-no sob a forma de bolotas presas às corbículas de seu último par de patas. Na colmeia é armazenado em favos separados dos de néctar. O homem, no desejo de obter também o pólen, coloca na entrada da colmeia um dispositivo caça-pólen, por cuja fresta passa a abelha operária vindo do campo; entretanto, ela perde as bolotas de pólen de suas corbículas, as quais são recolhidas numa bandeja anexa. Posteriormente estas bolotas de pólen são secadas, evitando ser atacadas por mofo e acondicionadas em recipientes e ambiente propícios à sua conservação. Acontece que as abelhas saem à procura de uma única espécie floral mas, não encontrando quantidade suficiente, visitam outras flores e misturam o pólen muitas vezes numa mesma bolota. Portanto, o pólen monofloral apresenta propriedades organolépticas e bioquímicas características e constantes, o heterofloral tem propriedades variáveis.


Além de grãos de pólen, estas bolotas contêm corantes à base de lipídios, provenientes das anteras das flores onde o pólen foi produzido. Variando com os táxons botânicos e em dependência destas substâncias, diversas colorações de pólen são encontradas, desde o bege quase branco até o marron bem escuro, passando por amarelo, alaranjado, vermelho e verde. Os resultados de pesquisas demonstraram que as cargas de pólen de uma mesma coloração podem corresponder a diferentes tipos polínicos e que um mesmo tipo polínico pode ocorrer com diferentes colorações.


Em conclusão, as análises qualitativas e quantitativas dos tipos polínicos encontrados em amostras de pólen apícola são, portanto, instrumentos utilizáveis para a caracterização geográfica de sua procedência, bem como da origem florística.

 

O pólen em própolis e geoprópolis


Um dos componentes de própolis, compreendendo cerca de 5% de seu peso, é o pólen. Seu aparecimento neste composto tem diversas origens. Pode ser trazido pelo vento, aderindo à resina das exsudações vegetais. Pode também entrar na confecção da própolis como contaminante, proveniente de seu armazenamento dentro da colmeia. O terceiro modo de entrada de pólen na fabricação de própolis tem origem no pólen aderido ao corpo das abelhas durante os seus trabalhos de campo e nas colmeias.


São poucas as análises palinológicas feitas de sedimentos de amostras de própolis. Amostras de própolis dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul foram analisadas quanto à presença de elementos figurados. Os principais tipos polínicos encontrados, além de grande quantidade de tricomas (glândulas vegetais), corresponderam aos táxons de Cocos, Eucalyptus, Eupatorium, Mimosa caesalpiniaefolia, Mimosa scabrella e Schinus (Anacardiaceae). Chamou atenção o elevado teor de pólen anemófilo, principalmente de Cecropia.


A identificação de táxons vegetais através da morfologia de seus grãos de pólen, permite a inferência, através de associações polínicas, sobre o tipo de vegetação de onde foi recolhida a própolis. É possível definir, salvo em poucos casos, a origem geográfica de uma própolis baseando-se no respectivo espectro polínico.


Foi observado que alguns Meliponini, além de pólen, traziam em separado resina, barro e carregamento de látex do fruto de Vismia para a fabricação de geoprópolis. A presença de sílica e barro e a ausência de tricomas foi usada, além de pólen, para diferenciar geoprópolis de meliponíneos de própolis de Apis.

 

O pólen na geléia real


De modo semelhante à análise polínica de amostras de própolis e geoprópolis, os espectros polínicos de amostras de geléia real podem constituir-se em instrumento útil na indicação de sua origem regional, bem como de importantes táxons vegetais para as abelhas. O componente pólen compreende cerca de 5% de seu peso.

 

Conclusão


Tanto para mel, quanto para própolis, geopropolis e geléia real, a análise polínica é essencial no sentido de poder reconhecer, através da vegetação, a região na qual foram produzidos pelas abelhas.

 

 

 



 

Palestra apresentada por Ortrud Monika Barth durante o XVI Congresso Nacional de Apicultura, realizado de 22 a 26 de maio de 2006, Aracaju, SE.

A UTILIZAÇÃO DO PÓLEN NA INTERPRETAÇÃO DA FLORA APÍCOLA - Ortrud Monika Barth - Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil

 

Refrências bibliográficas

Barth OM 1989. O Pólen no Mel Brasileiro. Editora Luxor, Rio de Janeiro. 151 p.
Barth OM 1998. Pollen analysis of Brazilian Propolis. Grana 37: 97-101.
Barth OM, Luz CFP 1998. Melissopalynological data obtained from a mangrove area near to Rio de Janeiro, Brazil. Journal of Apicultural Research 37: 155-163.
Barth OM, Luz CFP 2003. Palynological analysis of Brazilian geopropolis samples. Grana 42: 121-127.
Barth OM 2004. Melissopalynology in Brazil: a review of pollen analysis of honeys, propolis and pollen loads of bees. Scientia Agrícola 61: 342-350.
Barth OM 2005. Análise polínica de mel: avaliação de dados e seu significado. Mensagem Doce, SP, 81: 2-6.
Barth OM 2005. Botanical resources used by Apis mellifera determined by pollen analysis of royal jelly in Minas Gerais, Brazil. Journal of Apicultural Research 44: 78-81.

Copyright: Ortrud Monika Barth

A publicação deste texto científico foi gentilmente autorizada pela autora, Ortrud Monika Barth, ao nosso portal e só poderá ser reproduzido ou traduzido (completo ou em parte) com autorização escrita da autora. A reprodução só será autorizada se forem DADOS OS DEVIDOS CRÉDITOS AO SITE E À AUTORA.

Palestra apresentada por Ortrud Monika Barth durante o XVI Congresso Nacional de Apicultura, realizado de 22 a 26 de maio de 2006, Aracaju, SE. Adicionadas as figuras ao presente arquivo.



A UTILIZAÇÃO DO PÓLEN NA INTERPRETAÇÃO DA

FLORA APÍCOLA.


Ortrud Monika Barth


Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil


O que se entende por flora apícola? Significa um conjunto de plantas ocorrentes em uma determinada região e que desempenham o papel de sobrevivência para as abelhas.

Há extensas listagens de táxons vegetais considerados importantes para as abelhas, referentes, no presente caso, às diferentes regiões do Brasil. As plantas referidas estão classificadas ao nível de família, gênero e, frequentemente, a espécie. Muitas vezes estão citadas somente pelos seus nomes vulgares.

Quando se fala em flora apícola, deve-se considerar os interesses e as preferências nutricionais, tanto das abelhas nativas (Meliponini), quanto das introduzidas em nosso país (Apis mellifera L.). As levas dos primeiros imigrantes no Brasil, no século dezenove, principalmente alemães, trouxeram consigo as abelhas vulgarmente chamadas de “européias”, bem como a tradição e cultura de manipular e tratá-las. Entretanto, o pasto para as abelhas aqui era diferente do da Europa. Ambos, o homem e as abelhas tiveram de adaptar-se às novas condições de vida. Fizeram-no muito bem, de modo que estamos vivendo atualmente uma crescente atividade apícola em todo país. Recentemente, a Meliponicultura tem presenciado um importante desenvolvimento, tanto ao nível de espaço, quanto à tecnologia inovadora para uma criação racional. Além do mel, cresceu o interesse pela produção e qualidade de derivados apícolas. Estes se referem à própolis, geopropolis, geléia real, ao pólen, à cera e apitoxina.

O pólen da flora apícola é encontrado em mel, própolis, geopropolis e geléia real, além de ser coletado puro pelas abelhas, estocado em alvéolos (Apis) e potes (Meliponini), separadamente do mel, constituindo o chamado “pão das abelhas”. Existe hoje uma literatura bastante informativa, embora regionalmente ainda limitada, sobre o pólen apícola (Revisão sobre este assunto foi feita por Barth 2004. Scientia Agrícola 61: 342-350).


O pólen no mel.

Fazem parte do mel os grãos de pólen provenientes, na sua maior parte, das plantas fornecedoras de néctar, as chamadas plantas nectaríferas. Uma certa percentagem do pólen no mel pode ainda ser proveniente de plantas anemófilas, isto é, cujas flores não produzem néctar, somente pólen, disperso pelo vento, mas que pode ser de interesse para as abelhas como fonte de proteínas. Há ainda uma terceira categoria de plantas, as chamadas plantas poliníferas que, além de pouco néctar, fornecem bastante pólen.

É evidente que as plantas nectaríferas são de maior importância na produção de mel. Compreendem um grande número de espécies variando de região para região. Além de minuciosas observações da atividade das abelhas no campo, estas plantas são reconhecidas e identificadas através da “análise polínica” do mel. Constitui-se no reconhecimento dos tipos polínicos encontrados nas amostras de mel e a partir deles chegar às espécies vegetais que os produziram, bem como à vegetação de interesse apícola ao redor de um apiário e dentro do raio de ação das abelhas. Entre os tipos polínicos mais frequentes encontrados em nossas amostras de mel, estão como exemplos os de Eucalyptus, de frutas cítricas (Citrus sp.), Mimosaceae e Asteraceae (Compositae).

Entretanto, a avaliação dos dados obtidos, ainda necessita de aprimoramento. Não basta realizar uma simples repartição dos tipos de grãos de pólen encontrados nas amostras de mel em classes de freqüência. É necessário avaliar e ponderar estas categorias e relacioná-las às propriedades e características das plantas que os produziram. Em parte, até empírico, é o nosso conhecimento sobre plantas que produzem mais ou menos néctar, mais ou menos pólen, bem como plantas que são de maior ou menor interesse para as abelhas. Este interesse pode variar de região para região. Por exemplo, Dombeya wallichii (astrapéia), é de bom interesse para as abelhas no Estado do Rio de Janeiro (região Sudeste), entretanto é de desinteresse no Estado de Santa Catarina (região Sul) devido ao elevado teor de água em seu néctar nesta região. Todas as plantas essencialmente nectaríferas produzem muito néctar e pouco pólen, portanto são sub-representadas nos espectros polínicos.

Entre as poliníferas, isto é, plantas que produzem muito pólen e relativamente pouco néctar, super-representadas nos espectros polínicos, ocorrem diversas espécies do gênero Mimosa , de Melastomataceae (quaresmeiras). Espécies do gênero Eucalyptus, amplamente cultivadas no Brasil a partir do início do século XX, têm produção variável de pólen, de modo que ora se enquadram como nectaríferas, ora como poliníferas.

Há ainda as plantas anemófilas, que não produzem néctar e cujo pólen só acidentalmente entra na composição do espectro polínico de méis. Entre estas, ocorrem com maior freqüência várias espécies de Cecropia (embaúbas), de Poaceae (gramíneas), entre as quais o milho, e de Cyperaceae (tiriricas).

Em resumo, levando-se em consideração na análise polínica de amostras de mel a participação de pólen anemófilo e polinífero, bem como a relação quantitativa de sub- e super-representação do pólen das plantas nectaríferas, obtem-se um diagnóstico mais próximo da verdadeira procedência do mel.


O pólen puro.

Servindo de reforço alimentar à dieta do homem, o pólen de bolotas de abelhas é comercializado há longo tempo. Procura-se, no entanto, obter um padrão constante deste produto. O pólen de plantas apícolas é a principal fonte de proteínas na dieta das abelhas. Em visitas ao campo à sua procura, as abelhas recolhem-no sob a forma de bolotas presas às corbículas de seu último par de patas. Na colmeia é armazenado em favos separados dos de néctar. O homem, no desejo de obter também o pólen, coloca na entrada da colmeia um dispositivo caça-pólen, por cuja fresta passa a abelha operária vindo do campo; entretanto, ela perde as bolotas de pólen de suas corbículas, as quais são recolhidas numa bandeja anexa. Posteriormente estas bolotas de pólen são secadas, evitando ser atacadas por mofo e acondicionadas em recipientes e ambiente propícios à sua conservação. Acontece que as abelhas saem à procura de uma única espécie floral mas, não encontrando quantidade suficiente, visitam outras flores e misturam o pólen muitas vezes numa mesma bolota. Portanto, o pólen monofloral apresenta propriedades organolépticas e bioquímicas características e constantes, o heterofloral tem propriedades variáveis.

Além de grãos de pólen, estas bolotas contêm corantes à base de lipídios, provenientes das anteras das flores onde o pólen foi produzido. Variando com os táxons botânicos e em dependência destas substâncias, diversas colorações de pólen são encontradas, desde o bege quase branco até o marron bem escuro, passando por amarelo, alaranjado, vermelho e verde. Os resultados de pesquisas demonstraram que as cargas de pólen de uma mesma coloração podem corresponder a diferentes tipos polínicos e que um mesmo tipo polínico pode ocorrer com diferentes colorações.

Em conclusão, as análises qualitativas e quantitativas dos tipos polínicos encontrados em amostras de pólen apícola são, portanto, instrumentos utilizáveis para a caracterização geográfica de sua procedência, bem como da origem florística.


O pólen em própolis e geoprópolis

Um dos componentes de própolis, compreendendo cerca de 5% de seu peso, é o pólen. Seu aparecimento neste composto tem diversas origens. Pode ser trazido pelo vento, aderindo à resina das exsudações vegetais. Pode também entrar na confecção da própolis como contaminante, proveniente de seu armazenamento dentro da colmeia. O terceiro modo de entrada de pólen na fabricação de própolis tem origem no pólen aderido ao corpo das abelhas durante os seus trabalhos de campo e nas colmeias.

São poucas as análises palinológicas feitas de sedimentos de amostras de própolis. Amostras de própolis dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul foram analisadas quanto à presença de elementos figurados. Os principais tipos polínicos encontrados, além de grande quantidade de tricomas (glândulas vegetais), corresponderam aos táxons de Cocos, Eucalyptus, Eupatorium, Mimosa caesalpiniaefolia, Mimosa scabrella e Schinus (Anacardiaceae). Chamou atenção o elevado teor de pólen anemófilo, principalmente de Cecropia.

A identificação de táxons vegetais através da morfologia de seus grãos de pólen, permite a inferência, através de associações polínicas, sobre o tipo de vegetação de onde foi recolhida a própolis. É possível definir, salvo em poucos casos, a origem geográfica de uma própolis baseando-se no respectivo espectro polínico.

Foi observado que alguns Meliponini, além de pólen, traziam em separado resina, barro e carregamento de látex do fruto de Vismia para a fabricação de geoprópolis. A presença de sílica e barro e a ausência de tricomas foi usada, além de pólen, para diferenciar geoprópolis de meliponíneos de própolis de Apis.


O pólen na geléia real

De modo semelhante à análise polínica de amostras de própolis e geoprópolis, os espectros polínicos de amostras de geléia real podem constituir-se em instrumento útil na indicação de sua origem regional, bem como de importantes táxons vegetais para as abelhas. O componente pólen compreende cerca de 5% de seu peso.


Conclusão

Tanto para mel, quanto para própolis, geopropolis e geléia real, a análise polínica é essencial no sentido de poder reconhecer, através da vegetação, a região na qual foram produzidos pelas abelhas.


Refrências bibliográficas

Barth OM 1989. O Pólen no Mel Brasileiro. Editora Luxor, Rio de Janeiro. 151 p.

 

Barth OM 1998. Pollen analysis of Brazilian Propolis. Grana 37: 97-101.

Barth OM, Luz CFP 1998. Melissopalynological data obtained from a mangrove area near to Rio de Janeiro, Brazil. Journal of Apicultural Research 37: 155-163.

Barth OM, Luz CFP 2003. Palynological analysis of Brazilian geopropolis samples. Grana 42: 121-127.

Barth OM 2004. Melissopalynology in Brazil: a review of pollen analysis of honeys, propolis and pollen loads of bees. Scientia Agrícola 61: 342-350.

Barth OM 2005. Análise polínica de mel: avaliação de dados e seu significado. Mensagem Doce, SP, 81: 2-6.

Barth OM 2005. Botanical resources used by Apis mellifera determined by pollen analysis of royal jelly in Minas Gerais, Brazil. Journal of Apicultural Research 44: 78-81.
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