Um mais um pode ser três

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Categoria: Colaboração dos Leitores Publicado em Quinta, 19 Maio 2011 Escrito por Dona Filomena

Oi, BNAs, sou a Filomena. Dona Filomena. Por favor não me chamem de Filó ou de Vó, apesar de eu ter idade pra ser mãe da maioria de vocês e avó de outros tantos. Vocês vão gostar de mim, mesmo eu sendo uma pessoa meio direta de vez em quando. É que eu não tenho paciência. Aqui vou fazer um teste de aceitação do público, se não der certo eu continuo como leitora. Demoraram um tempo pra me responder, mas me aceitaram. Vou me controlar. Um pouco. Pronto, falei.

Aos poucos vocês vão saber um pouco mais sobre mim, se o site me deixar ficar. Eu moro na Alemanha há alguns anos, no sul, na capital do estado de Baden-Württemberg e gosto daqui. Já acompanhei muitas coisas, aprendi a gostar de internet com amigos jovens, que me mostraram essa janela para o mundo. Agora aprendo a ser neurótica com uma nova amiga que mora nesta minha cidade.

O assunto da semana é o tal do livro de português com erro gramatical. Em todo lugar alguém dá sua opinião e isso já está ficando monótono. Pra qual série é esse livro, alguém sabe? Eu li trechos dele, da parte fatídica onde se fala sobre preconceito lingüístico. No meu tempo Gramática era Lei, ou você fala certo ou fala errado. Ponto. Na minha época quando o filho falava "mãe eu fazi" a mãe corrigia "filho, é 'eu fiz'" e a criança não se sentia oprimida, rebaixada, o escambau! Tá uma palhaçada achar que tudo é preconceito, colocar todo mundo com menos possibilidades na vida como vítima e assim se mantém a miséria justificada, impedindo estas pessoas de pelo menos tentar uma "vida melhor". Sugere-se que se fale "dois tipos de português": o culto e o "da maioria dos brasileiros". Que bom que finalmente os políticos vão entender o que a maioria quer! Eles só entendem o "brasileirês do povo" antes das eleições. Se a alteração que o livro sugere mudar pelo menos isso, já se ganhou alguma coisa. Se a moda pega vai ter Jornal Nacional em duas versões, pra não ter preconceito. Um absurdo achar que se deva "dominar" o português errado falado pelas pessoas que não tiveram oportunidade de ir à escola só para não constrangê-las. Parece uma prova de matemática que considera dois ou três como resultado de um mais um. É que o resultado dois é pra norma clássica e o três tem uma visão mais humanista, mais abrangente: um mais um pode resultar num terceiro ser humano... ou um quarto, logo igual a quatro, se forem gêmeos.

Me recuso a participar dessas discussões acaloradas que não resultam em 'borra' nenhuma! Vou esperar pra ver diminuir o percentual de analfabetismo brasileiro com essa mudança essencial. Mas eu não discuto. E não me venham postar aqui nos comentários qualquer discurso pró-português-que-também-pode, que eu não respondo. Se me xingarem a Lia apaga, aqui não pode xingar, é um site sério. Se você concorda, acrescente, se não concorda, respeite. Não tenho paciência.

Mudando de assunto, viram a firma que deu uma orgia de presente para seus executivos em 2007? Claro, uma companhia de seguros na Alemanha. Pelo menos eles mudaram o foco e foram fazer com prostitutas húngaras o que já fazem o ano todo com os segurados alemães.

E uns médicos querendo acabar com o Ronald Mc Donalds! Será que vai adiantar? Será que com isso os pais vão parar de encher o fiofózinho de seus rebentos com essas bombas? Começo a acreditar que eu não gosto tanto assim do politicamente correto. O povo exagera. Agora virou esporte perseguir as declarações dos outros. Tudo é motivo de discussão, de agressão, de perseguição.

Pra terminar, lembrei de uma coisa: quero ver aqueles que defendem "toda forma de português" continuarem rindo das "pracas erradas" que canso de ver pela internet. Isso é preconceito linguístico.

Acabei. Nunca escrevi pra um jornal virtual assim, estou tímida. Se vocês deixarem eu ligo o achômetro e meto o pau. No bom sentido, porque sou uma senhora recatada e também não possuo tal objeto no sentido pornográfico. E tenho dito.

 


 

Copyright: "Dona Filomena" (Colaboração do leitor)
Contribuiu para este texto: Lia A.
Imagem: Wikimedia
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