Personalidade: Ubirajara Fidalgo

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Categoria: Você no BNA: Perfis e Entrevistas Publicado em Quinta, 22 Abril 2010 Escrito por BNA

Ubirajara FidalgoA abolição da escravidão, apesar de garantir a liberdade, não alterou em nada as condições socioeconômicas dos ex-escravos, que continuaram a viver, de uma forma geral, na pobreza, sem escolaridade e sofrendo com a discriminação. Não impediu também que a superexploração de mão-de-obra em regime de escravidão e o tráfico de pessoas continuassem sendo praticados até os dias atuais. (Wikipedia)

Hoje muitas personalidades lutam para que o negro deixe de ser tratado com cidadão de segunda categoria, para que seja respeitado profissional e socialmente. Uma dessas personalidades foi o ator e dramaturgo Ubirajara Fidalgo (1949-1986), pai de outra personalidade bastante conhecida pelos Brasileiros na Alemanha, a cineasta, roteirista e produtora Sabrina Fidalgo. Ele foi o primeiro dramaturgo afro-brasileiro, escreveu e encenou as peças "Fala Pra Eles, Elisabete!", "Desfulga", "Tuti" e "Bambi's Son".


O texto a seguir foi publidado no Portal Palmares do Ministério da Cultura e é assinado por Aída Josefina de Honório.

Ubirajara Fidalgo - ator e dramaturgo - foi precursor em levar o debate racial para dentro dos palcos

Ubirajara Fidalgo, criador do TEPRON - Teatro Profissional do Negro - nasceu no Maranhão, e já aos 17 anos, despertou para o fato de que era um "negro falso", como ele mesmo dizia: era necessário ter uma conscientização de sua origem e de sua própria raça.

Em 1968, ainda em São Luis, ingressou no curso de iniciação teatral de Jesus Chediak e daí não parou mais.

Já em 69, realizou o curso de Formação de Atores na Universidade do Maranhão, dando continuidade do curso na Universidade do Rio de Janeiro, e em 1970, participou do Seminário Permanente com o Professor Ronaldo Carijó, onde participou do Ballet Descobrimento do Brasil, com música do maestro Heitor Villa-Lobos.

Ubirajara FidalgoNo ano seguinte, em 71, inicia o curso de preparação de Artes Cênicas com o professor N. de Paiva, promovido pelo Serviço Nacional de Teatro - SNT. Neste mesmo ano, é premiado como melhor ator pela sua expressão corporal no infantil de Pedro Porfírio, dirigido por Procópio Mariano: Faça Alguma Coisa Pelo Coelho, Bicho!

Em 72 passa a ser presença constante em mesas de debates sobre a problemática da raça negra, sendo também convidado para entrevistas em rádio e tv. No ano seguinte, monta o infantil Os Gazeteiros, com um elenco todo formado por atores negros realizava então o seu grande ideal: "Queria ver negros interpretando papéis de cidadãos!"

Seu casamento em 28 de Janeiro de 74 com Alzira Fidalgo, vem solidificar sua brilhante trajetória. O grupo de teatro TEPRON foi a maneira encontrada por Ubirajara para chamar a atenção das pessoas para a falta de espaço para um ator negro. Durante 3 anos, cerca de 300 alunos de teatro passaram pela escola de Fidalgo. Este escritor e autor maranhense sempre teve a preocupação em fazer um trabalho que refletisse também sua condição de negro.

Ubirajara FidalgoLogo após ter escrito Tuti, em 73, procurou negros famosos para avaliar seu trabalho e para juntos, criarem um espaço alternativo como opção profissional: "Todos, a princípio, ficaram fascinados com a idéia, mas desistiram ante a dificuldade em conseguir verbas", afirmava.

Fidalgo continuou apostando na possibilidade de comercialização da dramaturgia negra e conseguiu provar que estava certo! Na estréia do monólogo Desfuga, em 82 (em cartaz durante 3 anos), sob os aplausos do público, confirmou que é possível um teatro comercial com uma temática envolvente e estimulante como a da consciência racial.

 

 

 

 


 

Por Aida Josefina de Honório, Especial para o Portal Palmares

Ubirajara Fidalgo no Wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ubirajara_Fidalgo

http://en.wikipedia.org/wiki/Ubirajara_Fidalgo

Fotos: Arquivo pessoal da família Fidalgo

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