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Andreia Barreto
Por: Andreia Barreto de Miranda   
12.02.10

Segundo dados estatísticos da Verband Binationaler Familien und Partnerschaften, apenas no ano de 2008 foram registrados na Alemanha 23.288 casamentos entre homens alemães com mulheres de outra nacionalidade.

Como mulheres temos mais facilidade de abrir mão de algo em prol de alguém que amamos, não que isto seja ruim, isto faz parte da natureza feminina, porém a questão pode se complicar quando esquecemos de prestar atenção em nós mesmas, em nossos desejos como mulher e principalmente como indivíduo.

Tantas coisas a se pensar que acabam não sendo pensadas e dificuldades na jornada em um país diferente que na verdade são quase impossíveis de se antever, é muito normal sermos movidos pela

excitação, paixão e emoção que aquele primeiro vislumbrar que novas perspectivas oferecem, porém o que acontece com os sentimentos após esta fase mágica?

Normalmente o processo de adaptação em uma cultura diferente a nossa pode ser visto como um “U”, a primeira ponta de cima é a euforia do novo que depois vai descendo chegando à curvinha lá embaixo, esta representaria os momentos de dúvidas, desilusão, solidão e até de desistência, subindo novamente para a outra ponta que já seria a fase mais estável da adaptação, onde já conseguimos nos reconhecer no estranho e a caminhar sozinho.    

Gostaria de chamar aqui a atenção para a questão profissional da mulher que migra e do quanto ter uma carreira profissional se torna importante para sua autonomia, identidade e bem-estar onde quer que ela esteja.

Em nossa sociedade nos definimos não apenas mas em grande parte através de nossa profissão, esta além de nos localizar e nos identificar socialmente, ela nos trás um sentimento de estar no mundo contribuindo com algo para alguém e principalmente de estar pleno, se ocupando e se completando ao exercer a atividade escolhida. Nosso trabalho e a responsabilidade que tomamos por este, trás também o desejo de melhorar-se, fazer bem, aprender mais e conseqüentemente expandir e evoluir como pessoa.

A mulher que migra está por uma série de motivos mais sujeita ao afastamento de sua vida profissional, o tempo que se leva para ter fluência na língua estrangeira, não reconhecimento de diplomas no exterior e muitas vezes até a falta de apoio do companheiro, chegando até a uma sutil coibição, são apenas algumas razões que acabam minando com sua auto-confiança e fazendo com que a mulher adie para uma data que esta não conhece o começo ou o recomeço de sua carreira no exterior.

Se olharmos para o passado podemos ver que a cultura brasileira sempre ensinou que a mulher tinha de obedecer e a sacrificar-se pelo outro. Colocada sempre em último plano, podemos ver isso no curso da história brasileira, um exemplo é a instituição do voto feminino que no Brasil chegou décadas mais tarde do que no resto mundo, assim como seu acesso à universidades e por conseguinte sua emancipação.

Sem contar que o papel da mulher no Brasil colônia era restrito à organização da casa e à procriação, a mulher apropriada era a que possuía atributos como ingenuidade, pureza e subordinação, esta era vista como um objeto para o sexo, porém sem sexualidade.

Sem querer e devido à certas circunstâncias difíceis que podem ser apenas momentâneas, nós mulheres acabamos reproduzindo alguns resquícios de nossa história, nos colocando em um lugar que não nos cabe a muito tempo.   

Subjugar-se em todos os graus e roupagens não é saudável, ao contrário, é um corte da criatividade, talentos e da essência do feminino e do humano, devemos nos mostrar sem medo inteiramente quem somos, como mulher assim como pessoa possuidora de sonhos, ânsias, medos, dúvidas, fortalezas e fraquezas.

Ter clareza do que realmente se quer fazer e persistir em seus propósitos individuais funciona como um ótimo guia para não se submeter a tristes situações que na verdade em muitos casos não é necessário que se submeta.

O exercício da auto-reflexão e de auto-questionamentos propicia o direcionamento do olhar para nós mesmos, para investigar o que desejamos e o que nos faz genuinamente feliz para então trilhar o caminho com mais confiança e menos desvios e distrações, nunca abrindo mão de quem realmente somos e do que somos capazes.

"Como mulher eu não possuo país. Como mulher, meu país  é o mundo todo." (Virgínia Wolf)

 


De acordo com suas experiências, o que mais atrapalha ou atrapalhou em sua adaptação e integração na Alemanha?
 

 


Texto: Dipl.- Psych. Andreia Barreto de Miranda
Berufsverband Deutscher Psychologinnen und Psychologen-Mitglied

Copyright: Andreia Barreto de Miranda (concedeu autorização de publicação para brasileiros-na-alemanha.com)

Este texto só poderá ser reproduzido ou traduzido (completo ou em parte) com autorização da autora e do site Brasileiros-na-alemanha.com.

A divulgação DO LINK para este artigo está liberada.

Os temas e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade da autora, não refletindo necessáriamente a opinião do portal Brasileiros-na-Alemanha.com

 

Comentários  

 
0 #3 Gostei da MatériaMarcelo 25-05-2010 14:36
Parabéns,
Relataste situações em que exprime amplamente a situação da mulher e a luta em um país diferente. (Serve para os homens também). Abraço
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0 #2 saber maiselaine cristina 20-05-2010 18:48
Ola !Adorei a materia e gostaria de saber onde encontro um forum onde se possa conversar sobre relacionamentos de brasileiras com alemaes, pois estou tendo um choque cultura no meu casamento!!
aguardo respostas!!
Um grande Abraco
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0 #1 Manter contatoMichelle 30-03-2010 17:28
Ola!! Gostei bastante do artigo, eu estive no ano de 2007 na Alemanha e foi maravilhoso tenho uma enorme vontade de retornar novamente a este país.

Um abraço* Michelle
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