Estereótipo Cultural

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Categoria: Andreia Barreto Publicado em Sexta, 28 Agosto 2009 Escrito por Andreia Barreto
Um tema bastante em voga quando estamos inseridos em um contexto cultural diferente, é o tema dos estereótipos. Como brasileiros é fato que ouvimos repetidas vezes a respeito de nosso comportamento, de nossa cultura e de nosso país praticamente o mesmo discurso.
Estereotipar significa de acordo com a definição do verbo 'tornar algo fixo, inalterável' , ou seja, em tese se algo é 'estereotipado' exclui-se automaticamente possibilidades de mudança ou de ser simplesmente algo além do já previamente definido. Os estereótipos culturais, como muitos não sabem, também funcionam como uma ferramenta simples de identificação, que nos orientam quando
estamos em contato com algo/alguém proveniente de uma cultura diferente, como exemplo, é fato que seremos mais cuidadosos ao termos contato com povos orientais pois sabemos mesmo sem termos ido, por exemplo, ao Japão que estes são conhecidos pela sua reserva e maior distância corporal do que os latinos.
O perigo dos estereótipos é a cristalização de preconceitos e o condicionamento do olhar, que coloca o julgamento e a exclusão antes de um conhecimento mais profundo a respeito do elemento em questão. 

Segundo o jornalista e analista político Walter Lippmann, um dos precursores do estudo do estereótipo social, para a maior parte das coisas, não vemos primeiro e depois definimos, mas sim primeiro definimos e depois vemos.

Ou seja, as representações que funcionam como guia em nossas cabeças, não representam a realidade, pois estas nunca são neutras, dependendo mais do observador do que do objeto observado.

A neutralidade pura é inimaginável, é utópico, mas isto não significa que seja impossível aos poucos reverter - com inteligência e até mesmo humor - determinados padrões de pensamento alheios que muitas vezes são acompanhados do maléfico desconhecimento de causa.
A desconfiança que às vezes nós brasileiros somos tratados lá fora parece um vício, um padrão de comportamento não saudável, por que então o simplesmente aceitamos? Quem aqui já não notou um olhar ou um comentário afiado em um tom de voz repleto de suspeita quando se trata por exemplo de nossa educação, de nossos reais talentos, de nossa cultura ou de nossos valores?

Alguém me contou uma vez, que em uma ocasião professores de uma universidade brasileira ficaram indignados com uma palestra de um convidado norte-americano que ao iniciar seu discurso exclamou orgulhoso: - Vim aqui para apresentar uma coisa que vai revolucionar a vida de vocês no Brasil! A platéia curiosa entusiasmou-se e em seguida este completou: - A Internet!

Este vendo o furor dos espectadores, desculpou-se e - creio eu - deva ter finalmente compreendido que a população brasileira é uma das mais conectadas na rede do mundo, inclusive tendo expoente êxito no âmbito do ensino a distância.

Venho acreditando cada vez mais que a nossa missão como representantes de um grande país, é de nos desvencilharmos daqueles velhos clichês que impregnam e prejudicam a nós mesmos e tratarmos de curar a cegueira que não nos permite ver do que realmente nos sentimos orgulhosos de nossa cultura que nos oferta com inúmeras qualidades e que muitas vezes não são vistas e reconhecidas por nós mesmos, falo, por exemplo, de nosso incrível dinamismo, flexibilidade, de nossa facilidade de adaptação e interesse em integração e rapidez no aprendizado de algo  novo, sem falar de nossa inigualável sensibilidade de lidar com o sentimento alheio.

Na vida às vezes repetimos o mesmo erro pelo simples fato de estarmos condicionados a ver apenas um lado só da moeda, e tentar ver o outro lado é passar a pensar de forma mais indagadora.

Isso significa que devemos aprender a colocar os fatos na balança da justiça chamando a atenção para que nós brasileiros sejamos mais críticos e não simplesmente aceitar com apatia tudo que nos é colocado a respeito de nós mesmos, de nossas raízes e aonde pertencemos, a única maneira de conseguir esse respeito que nos é merecido é através acima de tudo de nossa consciência crítica, transmissão de conhecimento e vontade de quebrar padrões antigos de pensamento que ainda muitos possuem e insistem em nos impor.

Temos que reciclar nosso próprio saber acerca de nossa cultura, temos que ler mais, temos que perguntar e contestar mais, para que assim não permitamos nenhum tipo de subjugação.

Se temos acesso a informação, que diga-se de passagem vem em velocidade supersónica, por que não usá-la de maneira inteligente?

A omissão e o medo de se impor reforçam ainda mais o famoso complexo de inferioridade brasileiro.

Estereótipos existem, mas uma coisa é a atitude em relação a ele e como permitimos sermos encaixados em um lugar ao qual muitas vezes não pertencemos. Impor-se com sabedoria é preciso!

"Educação, este é o supremo remédio"
Walter Lippmann



Texto: Dipl.- Psych. Andreia Barreto de Miranda
Berufsverband Deutscher Psychologinnen
und Psychologen-Mitglied
Copyright: Andreia Barreto de Miranda (autorização de publicação para brasileiros-na-alemanha.com)

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