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A preguiça baiana e o cheirinho do passado

Fato é que eu relaxei mesmo na casa de “mainha”, onde passava horas lendo, e no meu antigo quarto, que cada vez tem menos espaço para mim, percebendo, enquanto me deleitava com minha preguiça, que ainda contém entre aquelas paredes o cheiro da minha adolescência. Nostalgia pura, saudade gostosa, pensem o que quiserem, mas vocês sabem o que é isso? Sabe aquela associação que fazemos com determinadas canções? Tipo aquela música me lembra fulano ou beltrano ou uma certa etapa da nossa vida? Pois constatei que alguns aromas, cheiros, fragrâncias também podem nos transportar para certas épocas... E eu, relaxadinha como nunca, senti as fragrâncias do meu passado...cheiros da infância, da adolescência ou da vida adulta antes da minha vinda para a Alemanha.

A gente, quando se dá ao luxo de não fazer nada, apenas esvaziar a mente e se perceber, se escutar, pode descobrir coisas e vivenciar muitas emoções simples , mas revigorantes. Porque a tal preguiça, atributo injusto ao meu povo baiano, também é arte e talvez tenhamos sido realmente nós, baianos, que a tornamos “cult”. Fico pensando que os outros povos falam da nossa preguiça com uma certa pontada de inveja, desse jeito de não fazer nada, mas que na verdade a gente está fazendo alguma coisa: será que dá para dizer que baiano não tem preguiça, mas atos de meditação e autodescoberta? (risos!) Quem já passou a tarde olhando o mar de Itapoã sabe que o poeta tinha razão, quando cita as belezas desta parte da orla de Salvador, a quem agradeço por ter guardado meus aromas e fragrâncias, pra que eu sempre me guie e possa viajar no tempo lembrando que o cheiro da pátria também fortalece as raízes.

 


Copyright: Claudia Sampaio
Foto: Claudia Sampaio
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