Nosso website utiliza cookies para tornar a sua visita mais eficiente. Sem eles algumas áreas como menus, blocos ou slideshows não poderão ser exibidas.

Oi nóis aqui, travêis - Estresse- parte I


Tento me consolar relembrando os inúmeros deveres e obrigações, seja para com minhas atividades profissionais ou com minha filha, da qual tenho que cuidar sozinha e penso, às vezes, que já produzo o suficiente pra sentir-me satisfeita comigo mesma, mas, mesmo assim, questiono com frequência a minha qualidade de vida, quando deixo de aproveitar oportunidades de lazer ou ocupar-me de futilidades que relaxam, porque simplesmente não me coloco como prioridade, ou ao menos, com a importância da qual sei ser merecedora.

A gente sempre tende a achar que vive mais ocupado que os outros, usando com muita frequência a palavra chatinha, danada, que é “estresse”, mas que jeito, o diabo da palavra pegou mesmo e tudo vira estresse... E quando não vira a gente inventa!

Para combater a minha frustração de “escrivinhante” pensei que, assim como tanto escritores e autores famosos já publicaram textos sobre a falta de inspiração pra escrever, eu bem que poderia escrever sobre a falta de tempo para escrever afinal, o importante é participar... E este meu espaço aqui serve para isto, para abordar trivialidades do cotidiano e interagir com quem busca um momento de descontração e relaxamento pra driblar o próprio estresse. Também para manter-me fiel a mim mesma e a esta linha editorial: “esta é minha vida” fui buscar a origem semântica, não do meu estresse, porque esta já conheço, mas da dita palavra, oferecendo a quem me clicou aqui um pouco de cultura inútil.

Provavelmente um ou outro leitor vai ter até vontade de saber o que me estressa e para matar eventual curiosidade sobre minhas façanhas e facetas, voltarei outra hora ao tema e lhes contarei dramaticamente, como uma boa leonina sabe fazer, as durezas e agruras de trabalhar fora e dentro de casa, sem empregada, criar filho, longe da família (risos), gostaram desta né? O clube da solidariedade aqui vai ser gigante!

Retomando: segundo a Wikipedia: ”Estresse (no português brasileiro) ou stresse (no português europeu) pode ser definido como (a) a soma de respostas físicas e mentais causadas por determinados estímulos externos (estressores) e que permitem ao indivíduo (humano ou animal) superar determinadas exigências do meio-ambiente, e (b) o desgaste físico e mental causado por esse processo.

O termo estresse foi tomado emprestado da Física, onde designa a tensão e o desgaste a que estão expostos os materiais, e usado pela primeira vez no sentido hodierno em 1936 pelo médico Hans Selye na revista científica Nature."

O “stress” (alemão) pode ser causado pela ansiedade e pela depressão devido à mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente, que leva a pessoa a sentir um determinado tipo de angústia. Quando os sintomas de estresse persistem por um longo intervalo de tempo, podem ocorrer sentimentos de evasão (ligados à ansiedade e depressão).

Traduzindo para o baianês: agonia arretada ou aporrinhação miserável...

Acrescento ainda que tanto a falta de organização na agenda como a mania de querer abarcar o mundo podem piorar este caos, pois somos os únicos responsáveis pela rotina e estilo de vida que temos. Tento me lembrar que sempre temos, no mínimo, duas possibilidades de respostas: dizer sim ou não, evitando cargas e tarefas em excesso, que nos fazem ficar ruminando depois e contaminando a atmosfera de casa ou do trabalho com tremendo mau humor. Empurrar para os outros a culpa seria uma atitude leviana.

Tenho minhas receitas anti-estresse que, embora simples, são realmente eficazes: meditação, exercícios de yoga, etc., mas acabo não fazendo uso das mesmas e vou desafiando a mim mesma,relegando tais atividades a segundo plano. Afinal, o tal do tempo é tão curto e eu me coloco no fim da minha própria fila... Caio no ciclo vicioso de me estressar porque não priorizo minhas "receitas", até pum! Ficar doente e ter que ficar de molho, descobrindo assim que ninguém é insubstituível, outra lição difícil para muitos.

Nessa situação, nada mais nos resta senão a resignação, aproveitando a convalescença para repensar o que fazer para viver de forma mais saudável. Num destes momentos de parada obrigatória aproveitei pra relaxar, ou melhor para "desinchar" literalmente meu estresse, pois fui literalmente mordida por um inseto ainda não identificado, na orelha, e qual não foi o meu espanto a me olhar no espelho e me deparar com o rosto todo vermelho e inchado, como se tivesse ficado debaixo do sol de verão soteropolitano sem protetor solar e ainda levados uns catalecos de algum delinquente! Tive que ir ao médico, depois de ter conseguido com muito esforço e aquele sentimento frustrante de autopiedade (olhem o drama!) arrumar minha pequena para ir à escola.

Voltando do médico, que receitou-me antibiótico, antialérgico e duas pomadinhas poderosas, olhei-me no espelho com aquela cara de desalento, mas ao mesmo tempo pensando que o maldito inseto que me beijou tivesse talvez trazido uma mensagen do universo para mim, cujo texto central seria: se acalma criatura, corpo e alma, aprende de uma vez por todas que não adianta apenas tentar filosofar nem em português, nem em alemão, sem por em prática todas as bandeiras levantadas em prol de uma vida mais serena.

Iniciei assim um tal processo de “desaceleramento”, desligando as tomadas, recarregando as baterias e jurando fazer diferente... Três semanas depois do ocorrido, eis me aqui, já bem melhor, apenas lamentando ainda pela minha pele ao redor dos olhos que, por ser mais sensível, exige mais tempo para se regenerar. Depois do susto resta a promessa de ler no mínimo duas vezes ao dia, a frase atribuida a Millor Fernandes: “Quem se mata de trabalhar merece mesmo morrer”... Socorro !!!!! Vida sana, me abrace!!

 


 

Copyright: Claudia Sampaio
Foto: Claudia Sampaio
Reprodução ou tradução: entre em contato com nosso portal.

A divulgação do LINK para este artigo está liberada.

Os temas e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade DA AUTORA, não refletindo necessáriamente a opinião do portal Brasileiros-na-Alemanha.com e sua equipe.

 


You have no rights to post comments

Top